Durante todos esses anos, toda as vezes que o tema "Cristo" vinha à tona em uma conversa eu fazia questão de salientar que nasci em lar cristão, que tenho por pai um pastor calvinista e fui criada entre bancos de igreja. Armava-me dessas credenciais como se fossem a prova de pertencer a algum tipo de casta, ou evidência da minha genealogia privilegiada e, portanto, a autenticação da minha opinião quanto a qualquer tema ligado a bíblia.
No dia 12 de Março de 2015 aprouve ao Senhor quebrar minhas duas pernas (Hipoteticamente falando).
Sozinha, perdida, sem ter para onde ir ou com quem desabafar, elevei meus olhos para os montes, de onde supostamente me viria socorro, e qual não foi a minha surpresa ao perceber que não acreditava ter alguém no monte para vir em meu auxílio.
E como um piano de desenho animado cai sobre o personagem esmagando-o contra o chão, fui atingida na cabeça pela consciência plena de que nesses vinte oito anos eu nunca conheci Deus. Eu soube que tudo que eu disse sobre Ele, todos às vezes que salientei seu poder de cura, libertação ou consolo, todas às vezes que emiti minha opinião de especialista, todas esses vezes foram nada mais, nada menos que pífias reproduções das ideias e sentimentos alheios. Apenas eu tentando ter a fé de pastor x, sicrano y, fulano w.
Então decidi começar do zero. Esse blog tem por finalidade essa tentativa. E para iniciar os trabalhos, pergunto:
Quem é Deus?
Ele é digno da confiança que exige?
Podemos realmente colocar sobre Ele nossas ansiedades quando levamos um pé na bunda do namorado (a), quando nosso passarinho está doente, o celular caiu na privada daquele banheiro público, quando a dor é tão grande que morrer parece a melhor das alternativas, quando morrer é a única alternativa, quando ninguém quer/pode ouvir, quando a desesperança é tamanha que o corpo fica paralisado?
É exatamente o que pretendo descobrir. Cenas dos próximos capítulos.