sábado, 19 de janeiro de 2019

Quando estiver no inferno, faça uma oração.

Meditações de um sábado pela manhã:

Ontem à tarde, quando duma folga do trabalho, comecei a assistir uma pregação do pastor Augustus Nicodemus (link ao final do texto) sobre o cristão e o sofrimento.

A gente sabe que na teoria o sofrer por Cristo é lindo. Você rejeita aquilo que quer, esmurra o seu corpo, nega a sua vontade e segue sangrando e dando glória a Deus. Entretanto, na prática o buraco é mais embaixo.

Eu não sei vocês, mas o meu espinho na carne tem o poder de me levar pro buraco. E quando eu digo buraco quero dizer o poço do poço da Samara.

O espinho deu sinal de vida de novo esses dias.
E eu, como gato escaldado que sou, já prevendo todo o sofrimento que viria, fiz a única coisa carnal possível e pirei.

Comecei minhas orações com raiva de Deus perguntando que prazer era esse que Ele via em me fazer sofrer? Será que eu não merecia amor? Será que eu não merecia felicidade?




Não priem canico: nos meus poucos momentos de lucidez eu sempre lembrei que não mereço absolutamente nada além do fogo do inferno.

Num segundo momento eu passei a orar, Senhor eu quero isso, mas sei que será feita a sua vontade e não a minha. E chorava amargamente porque eu sabia que a vontade do Senhor nesse caso era o extremo oposto da minha.

Mais tarde, a oração se tornou, Senhor me ajuda a resistir a esse negócio. Mas se eu puder tê-lo mesmo assim... (Risos)

Posteriormente eu pedi ao Senhor que qualquer que fosse a vontade dEle, mesmo que me quebrasse em muitocentos pedaços, que essa vontade fosse maravilhosa aos meus olhos (fazendo questão de lembrar o quão difícil isso seria e como seria legal se ele pudesse santificar o espinho e dar Ele pra mim de qualquer forma. Vai que cola!)

E por fim, hoje, em minha oração matinal, eu orei pra que Deus me desse os sentimentos certos em relação a essa questão, pra que isso não me leve pra longe dEle, para que eu não caia nos encantos do espinho e me afaste dEle novamente. E orei pedindo a Deus que perdoe os pecados do espinho, e os meus pecados, e nos salve do mal. E nos salve da falsa convicção de salvação. E que sim, eu queria auxiliar aquele espinho durante a minha vida, mas se, e somente se, o espinho se tornasse um esporão de Deus, forte, corajoso, piedoso.

E assim como pastor Augustus disse na pregação dEle sobre Hemã e o salmo do sofrimento que termina em escuridão, no meu sofrimento o Senhor me ensinou a orar.
Orar por coisas que eu não tenho, por coisas que eu não posso produzir de mim mesma.
Eu orei como Agostinho, dizendo Senhor pede o que tu queres,mas dá me o que tu pedes.

E pela primeira vez desde que as lágrimas começaram eu agradeci a Deus pelo sofrimento.
Porque olha que coisas maravilhosas ele me trouxe.

Alem de orações melhoradas por mim, também pelos outros.
Empatia por aqueles amigos passando pelo mesmo. E oração por eles também porque eu sei, na minha carne, o quanto dói.
Então pedi ao Pai de misericórdia que não conforte somente a mim, mas também aos meus amigos.
E que me dê palavras de conforto, que fale através de mim e alcance aqueles corações cansados.

O sofrimento, ele não acabou e continua me abatendo, mas nos dias em que a luz me alcança aqui no poço, ah que doces frutos ela produz.


Se você está no inferno, continue orando.
Se você precisa de um amigo pra te ajudar e para ajudar, me mande um e-mail.


Quando estiver no inferno, faça uma oração.

Não sofra com o seu sofrimento - Augustus Nicodemus: https://www.youtube.com/watch?v=fd6WhrQN1h8

E-mail: emilycharn@gmail.com

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